ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DOS ACIDENTES OFÍDICOS NO MARANHÃO, NO PERÍODO DE 2014 A 2024
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Os acidentes ofídicos representam um relevante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões tropicais como o estado do Maranhão. As serpentes dos gêneros Bothrops, Crotalus, Lachesis e Micrurus são responsáveis pelos acidentes
ofídicos no país, e possuem importância médica. Este estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico dos acidentes ofídicos notificados no Maranhão entre os anos de 2014 e 2024, com ênfase em aspectos clínicos, demográficos,
espaciais e sazonais, além de identificar fatores associados à letalidade. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo, com análise de dados secundários provenientes do SINAN. Os resultados revelaram que no período de
estudo houve 20.741 notificações, com a maioria dos casos registrados nas unidades regionais de saúde de Barra do Corda (n=2920), Santa Inês (n=2332), Açailândia (n=1985) e Imperatriz (n=1903). O perfil das vítimas, em sua maioria, é composto pelo
sexo masculino (76,4%), faixa etária entre 20 e 39 anos (60,65%), raça/cor parda (72,95%) e baixa escolaridade, com a maioria dos indivíduos acidentados com conclusão até os anos iniciais do ensino fundamental (40,35%). O gênero com maior
quantidade de notificações foi o Bothrops, e as serpentes Lachesis apresentaram maior letalidade (1,38%), com odds ratio significativo (OR = 3,26; IC 95%: 2,27–4,69). Também foi observada uma acentuada sazonalidade, com picos entre janeiro e
março, coincidentes com o período de maior pluviosidade e atividade agrícola. Idosos (≥60 anos) apresentaram risco significativamente aumentado de óbito (OR = 1,80; p < 0,05), evidenciando a vulnerabilidade desse grupo. Além disso, identificaram-se
fragilidades nos registros, com elevado número de campos não preenchidos nas fichas de notificação, o que compromete a qualidade da vigilância epidemiológica. Conclui-se que os acidentes ofídicos no Maranhão exigem ações integradas de
prevenção, diagnóstico oportuno, capacitação profissional e melhoria na notificação, especialmente voltadas às populações mais vulneráveis.
