MORFOLOGIA E FILOGENIA DE MYXOSPORIDEOS (CNIDARIA:MYXOZOA) PARASITOS DE PEIXES NATIVOS NA PORÇÃO OESTE DO ESTADO DO MARANHÃO, AMAZONIA ORIENTAL BRASILEIRA.
MORFOLOGIA E FILOGENIA DE MYXOSPORIDEOS (CNIDARIA:MYXOZOA) PARASITOS DE PEIXES NATIVOS NA PORÇÃO OESTE DO ESTADO DO MARANHÃO, AMAZONIA ORIENTAL BRASILEIRA.
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Data
2026-04-22
Autores
SILVA, GABRIEL RODRIGUES DA
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Resumo
Os mixozoários são parasitos intracelulares obrigatórios que utilizam vertebrados e invertebrados ao longo de seu
ciclo de vida, representando um grupo de microparasitos amplamente associado a peixes tropicais, especialmente os mixosporídeos, sobre os quais há maior acúmulo de conhecimento. Entretanto, estudos existentes permanecem concentrados em determinadas regiões hidrográficas brasileiras e focam principalmente na morfologia e filogenia dos mixosporos, havendo lacunas referentes ao ciclo de vida em hospedeiros invertebrados e à filogeografia desses organismos, bem como seus potenciais efeitos ambientais e zoonóticos. Mixozoários acometem peixes de ambientes marinhos e dulcícolas e desempenham papel relevante na dinâmica das cadeias tróficas, podendo atuar como reguladores de populações naturais, além de provocarem impactos econômicos e zoossanitários em sistemas de cultivo. Assim, torna-se necessária a caracterização morfológica e filogenética desses parasitos em ambientes naturais do Maranhão, região ainda pouco investigada. Considera-se que os fatores que controlam a prevalência de mixozoários em ambientes tropicais são pouco conhecidos e que sua presença pode afetar a comunidade planctônica e promover divergência entre populações límnicas. Peixes teleósteos apresentam elevados níveis de infecção, com o tamanho corporal e o nível trófico influenciando a relação parasito-hospedeiro. Entre os microparasitos associados, os mixozoários (Cnidaria) estão entre os principais responsáveis por elevadas taxas de mortalidade em peixes. Este trabalho propõe investigar a ocorrência, morfologia e relações filogenéticas de mixozoários parasitos de peixes na região oeste do Maranhão, contribuindo para o entendimento da biota aquática local e fornecendo subsídios para manejo e avaliação sanitária do pescado regional. Foram avaliados 263 espécimes de peixes em ambientes naturais na bacia do rio Tocantins (área correspondente a porção final do médio curso deste rio), área de influência da Amazônia oriental brasileira. A prevalência observada de parasitoses causadas por mixozoários foi de 27,7% (73). Com destaque aos hospedeiros: Branquinha (Psectrogaster amazônica), piranhas (Serrasalmus sp e Pygocentrus sp) e Cutimatã (Prochilodus lineatus Valenciennes). Nos rins a ocorrência de mixozoários foi de 37,2 % de prevalência (33,4 % de ocorrência do gêneros Myxozoa e 3,8% do gênero Henneguya). Em 15,6 % dos hospedeiros analisados ocorreu a infecção nas brânquias, com dominância de casos de parasitismo por Henneguya spp (13,6%) em relação a Myxobolus spp (1,9%). As brânquias e os rins foram os principais sítios de infecção. Com a ocorrência exclusiva no tecido branquial do gênero Henneguya, enquanto Myxobolus spp apresentou uma ampla variedade de sítios de infecção.