ENTRE TERREIROS, CAIXAS E SABERES: educação, rito e aprendizagem nos caminhos formativos do Grupo Kizomba

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Data
2026-07-08
Autores
SILVA, YASMIN DE SOUSA
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Resumo
Esta pesquisa analisa as práticas culturais e os processos educativos desenvolvidos no âmbito do Grupo Kizomba, um coletivo cultural com quase trinta anos de existência sediado na periferia de Imperatriz, Maranhão. O estudo adota a metodologia da pesquisa etnográfica com abordagem qualitativa, combinando pesquisa bibliográfica e de campo, com o suporte de observação participante e entrevistas semiestruturadas. O referencial teórico-metodológico ancora-se nos Estudos do Cotidiano, da Afrodiáspora e da Educação Popular. Adota uma postura ético-política de escrita em primeira pessoa do singular, assumindo a condição de pesquisadora-brincante inserida organicamente no campo, e compreende quais saberes são produzidos, compartilhados e transmitidos por meio das vivências do coletivo, um tempoespaço sociopedagógico de produção de conhecimentos, de linguagem e de resistência cultural. Os resultados apontam que a transmissão dos saberes tradicionais ocorre pela via da ancestralidade, da circularidade e da oralidade, estabelecendo o corpo situado como território de memória viva. Identificou-se que o grupo ressignifica o território usado da cidade ao demarcar pátios escolares e palcos como locais de letramento racial e fortalecimento identitário frente ao racismo estrutural da região. Por fim, foram mapeado os desafios contemporâneos de continuidade do coletivo diante do tempo cronológico comercial e da rotatividade de membros, evidenciando as táticas cotidianas de acolhimento e as redes invisíveis de solidariedade comunitária que garantem a salvaguarda da memória coletiva e afirmam a cultura popular como legítima matriz pedagógica.
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