ANÁLISE DE PADRÕES NA MICROMORFOLOGIA PARA SUBSÍDIO À TAXONOMIA DE ESPÉCIES EM MENISPERMACEAE DC

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Data
2026-09-02
Autores
AGUIAR, BEATRIZ GAVINHO DE
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Resumo
Pertencente às Ranunculales, Menispermaceae compreende 72 gêneros com aproximadamente 526 espécies, sendo a Amazônia o principal centro de diversidade do grupo no Brasil, onde ocorrem 16 gêneros e 105 espécies. As principais controvérsias taxonômicas da família concentram-se na delimitação de tribos e, sobretudo, na circunscrição dos gêneros, dificultada pela predominância do hábito lianescente e pela escassez de material reprodutivo em coleções de herbário. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar os caracteres epidérmicos de espécies de Menispermaceae como suporte à taxonomia da família. Foram analisadas 69 espécies pertencentes a 14 gêneros, cinco tribos e duas subfamílias. Fragmentos foliares foram submetidos a dissociação em solução de peróxido de hidrogênio e ácido acético (1:1) e corados com Safranina a 50% para observação da epiderme em vista frontal. Para a análise estatística, foram coletados dados de cinco campos aleatórios por amostra, avaliando-se densidade, comprimento e largura dos estômatos, além do comprimento dos tricomas. Os dados foram submetidos à ANOVA com teste de Tukey (p<0,05), utilizando o software Sisvar (v.5.6). A análise de agrupamento UPGMA, baseada no coeficiente de similaridade de Jaccard a partir de matriz de caracteres qualitativos, foi realizada no software Past (v.4.03). O complexo estomático anomocítico predominou na família, registrado em 40 das 69 espécies avaliadas, seguido pelo tipo anisocítico, presente em 19 espécies. Morfotipos de distribuição restrita, como o laterocítico em Abuta grandifolia, o hemiparacítico em Orthomene schomburgkii e o latero-ciclocítico em espécies de Hyperbaena, revelaram maior potencial diagnóstico. Os tricomas apresentaram variação morfológica mais expressiva do que os tipos estomáticos, com 45 das 69 espécies registrando alguma estrutura tricomática, sendo o tipo simples e o bicelular os mais frequentes. Os coeficientes de variação para comprimento e largura dos estômatos apresentaram valores predominantemente baixos a médios na maioria dos gêneros, ao passo que a densidade de tricomas demonstrou alta variabilidade, especialmente em Cissampelos, da tribo Cissampelideae, cujo comprimento médio de tricomas atingiu 1.267 μm em C. tropaeolifolia, e em Curarea, da tribo Tiliacoreae, com média de 111 μm em C. toxicofera. A análise de agrupamento revelou padrão topológico com numerosos pares de espécies em similaridade máxima, evidenciando conservadorismo epidérmico em subgrupos de Cissampelos e Burasaia, ao mesmo tempo em que gêneros como Abuta, Disciphania e Odontocarya apresentaram acentuada dispersão fenética no dendrograma. O posicionamento de Anomospermum chloranthum com Orthomene hirsuta e de A. reticulatum com O. schomburgkii mostrou-se congruente com filogenias moleculares independentes para a tribo Anomospermeae. Os caracteres da micromorfologia foliar mostram-se significativos para subsídio à taxonomia de táxons da família Menispermaceae, e associado a outros fatores, contribuem a compreender melhor as adaptações e divergências dentro do grupo.
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