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VERSOS QUE ROMPEM O SILÊNCIO: mulheres e poética no Brasil contemporâneo
VERSOS QUE ROMPEM O SILÊNCIO: mulheres e poética no Brasil contemporâneo
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Data
2026-10-01
Autores
SAMPAIO, MERCIA ELOI DA SILVA
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Resumo
Historicamente, as mulheres foram definidas de maneira restritiva e vinculada a padrões rígidos, com o objetivo de manipulá-las e até violentamente silenciá-las. As dificuldades enfrentadas por elas são recorrentes e estruturais e, infelizmente, ainda limitam suas experiências em sociedade. Sabendo-se que essas desigualdades resultam de processos históricos que colocaram o homem em posição de privilégio em diferentes espaços, a arte também é um importante instrumento para que mulheres de diferentes
origens e culturas possam declarar/gritar seu descontentamento, reinvindicações e desejos. Na literatura, essas existências e resistências encontram um campo fértil para reflexão e a poesia configura-se, também, como um espaço para reafirmar suas
identidades e fazer suas vozes serem ouvidas. Assim, a presente pesquisa parte da análise das poesias Eu sou e Não vou mais lavar os pratos de Cristiane Sobral; A mulher é uma construção e A mulher vai, de Angélica Freitas; Identidade e Eu moro na cidade,
de Marcia Wayna Kambeba, colocando em diálogo mulheres de diferentes extratos de raça e vivências, visto que estas enfrentam desafios distintos na sociedade. A escolha por estes nomes dá-se como forma de expressar o hibridismo e multiculturalismo do
Brasil, contribuindo para uma visão ampla das identidades e vivências de mulheres. Tomamos como metodologia a investigação bibliográfica baseada nos teóricos Heloisa Buarque de Holanda (2022), Mary Del Priore (2021), Gonzalez (2020) e Silveira (2018)
no que diz respeito às diversas realidades históricas e críticas de ser mulher; Schmidt (2017) e Vera Queiroz (1997) acerca da escrita feminina; Pucheu (2023) e Moisés (2019) que discorrem sobre a poesia e seu papel social. Dessa forma, o trabalho não somente expõe diferenças e semelhanças entre as autoras, mas destaca a individualidade e anseios de mulheres que compõem a cultura brasileira. Colabora, portanto, para o fortalecimento de uma crítica literária comprometida com a diversidade e ampliação do espaço da pluralidade de voz na literatura brasileira contemporânea, expondo um fazer poético que se transfigura como eco das experiências das mulheres que utilizam da linguagem para produzir efeitos políticos e sociais.